2.1.12

O segredo da vitória

(Desconheço autor)

Todos na pequena aldeia estavam eufóricos, e não falavam em outra coisa a não ser no grande evento que estava para acontecer e que causou grande repercussão também nas vilas e cidades vizinhas. “É o evento do ano”,diziam alguns otimistas.
Felizes mesmos estavam os comerciantes locais pois a festa prometia.
As redes hoteleiras apelavam para os moradores e suas casas propondo um convenio, uma vez que os quartos de hotéis e pousadas lotados.
A data da abertura se aproximava, e os turistas iam se aproximando cada vez mais.
Os especuladores abriram a bolsa de valores da vila para mais um dia de grandes apostas. “Caso haja um ganhador, ele levará todo o dinheiro, se não o dinheiro será dividido com os moradores da cidade”, propôs o prefeito.
Há anos que não havia vencedor nessa maratona: um percurso de 40 quilômetros com um sol de quase 40 graus desafiava qualquer homem por mais bem preparado que estivesse, um teste de resistência humana.
As apostas aumentavam e uma multidão em ônibus, carros,cavalos e charretes chegava de todos os cantos, inclusive da capital. A razão de os participantes terem aumentado dez vezes mais em relação ao ano anterior se deu porque a empresa que estava premiando também dobrou o premio, de R$ 50 mil para R$100 mil.
Nicanor era só otimismo. Gabão como ele só, vivia dando autógrafos ate para cachorro que passava na rua. Ele convocou a imprensa para dar entrevistas e declarar que o prêmio estava no papo. E quando saia as ruas não podia ver um turista tirando fotos que entrava no meio: “Vai tirar foto do grande campeão!”
O grande problema enfrentado por todos os participantes era o povo local, pago pelos patrocinadores para desestimular os participantes com palavras de morte:

“Nicanor, desiste meu filho”, dizia dona Maricota.

“Que nada, dona. Esse prêmio está na mão!”, rebateu.

“Lembra do Dicão? Morreu nessa maratona. O sol castigou seus miolos”, insistiu a mulher.
“Vira essa boca pra lá, mulher! Eu vou resistir até o fim e vou vencer!, determinou.
Querendo dividir o prêmio, todos os moradores investiam pesado contra os participantes.
Chegou o grande dia e os atletas esperavam o prefeito atirar para o alto dando inicio à maratona: Bang! Todos saíram em disparada sendo liderados por Nicanor. E a multidão acompanhava cada quilometro percorrido pelos atletas, torcendo pela desistência de cada atleta.
“Desista, não vão conseguir!”, gritou a multidão. De repente, um homem toma a dianteira, nos últimos dez quilômetros, dentro da cidade, aumentando o coro: “Vai perder!”
Porem, ele conseguiu o inédito, cruzando a linha de chegada e entrando para a história da cidade como o primeiro homem a vencer o duplo desafio: o sol e as palavras de morte do povo.
Na entrevista, todos queriam saber qual foi o segredo da sua vitória. É que ele, apesar de estar preparado, era surdo!

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