(Pe Joãozinho)
Conta-se que, num tempo e lugar distantes daqui, um jovem
pecou levantando falso testemunho. Ele inventou uma história repleta de
meias verdades sobre uma pessoa inocente. A fofoca se espalhou
rapidamente e começou a prejudicar a vítima. Não existe mentira mais
perversa do que meia verdade. Todos veem a metade verdadeira e deduzem o
resto. O problema é que a outra metade era inventada… pura mentira.
Ocorre que ao ver os danos causados, o jovem se arrependeu de seu pecado
e procurou um velho sacerdote para fazer confissão. O sábio o atendeu
calmamente, ouvindo cada uma de suas palavras. Ao final disse: – “Você
está realmente arrependido deste pecado?” O jovem rapidamente respondeu
que sim e que inclusive já havia pedido perdão à pessoa que injustamente
havia acusado. – “Bem…” respondeu o confessor, “então antes de lhe dar a
absolvição vou pedir que cumpra uma penitência. Você vai pegar um
travesseiro de penas, subir em um alto monte e soltar as penas ao
vento.” – “Só isso?” admirou-se o penitente. – “Sim. Depois volte aqui”.
No dia seguinte o jovem voltou satisfeito. Então o sacerdote disse: –
“Agora você está preparado para cumprir a segunda parte da penitência:
volte à planície e recolha todas as penas novamente no travesseiro,
depois volte para receber a absolvição”. O jovem olhou sem entender:
-”Mas isso é impossível”. -”Justamente. Da mesma forma é impossível
reparar a fofoca. Apenas porque a misericórdia de Deus é infinita, você
poderá receber o perdão. Mas o mal que você provocou ficará pairando
sempre, como penas ao vento. Pense bem antes de falar novamente algo
contra alguém!”. E o sacerdote deu a absolvição e pediu que o jovem
rezasse uma ave-maria por pena espalhada, como penitência.