23.4.12

A mulher da cruz

Extraído do livro - Quem é Jesus (Pe Rufus Pereira)
Maria

Assim como Deus não poupou Seu próprio filho, entregando-O por nós, Jesus, por sua vez, também não poupou Sua própria mãe, mas a entregou a nós não apenas como nossa mãe, mas também como vítima. Uma mãe paciente e sofredora, em pé aos pés da cruz, com seu coração trespassado pela espada, olhando para o seu Filho pregado na cruz e com o coração trespassado pela lança.
Já desde o anuncio da encarnação, Jesus permite que Sua mãe experimente o sofrimento, porque Ele precisava dela como uma mulher experimentada no sofrimento, em todo tipo de sofrimento que as mulheres passam, como que para completar com isso, nas palavras de Paulo, os sofrimentos de Cristo como homem - o sofrimento de ser objeto da dúvida do homem que ela amava e que a amava, a humilhação de de não ter onde se hospedar num momento de necessidade , a angústia causada pela ameaça à vida de seu filho único, os apuros de ser uma refugiada num país estrangeiro e hostil, a agonia de não saber nada sobre o destino de seu filho amado, os constantes rumores sobre escândalos a respeito Dele e alegações de que Ele estaria transgredindo a lei e o embaraço causado por parentes bem intencionados pressionando-a a impedi-Lo de continuar com suas afirmações e atitudes incomuns.
Mas mesmos esses sofrimentos todos foram apenas sombras do que seria a cruz do Calvário, com Jesus pendurado lançando as primeiras sombras sobre Maria ali em pé. Pois acima de tudo a sua dor era por ver o seu filho mal interpretado e suspeito de um crime, abandonado e traído até mesmo por Seus próprios seguidores e apóstolos, julgado e sentenciado injustamente, ridicularizado e amaldiçoado pelos líderes civis e religiosos, entregue nas mãos de carrascos para ser crucificado junto com dois criminosos pelas mesmas pessoas que foram beneficiadas pelo Seu ministério. Mas maior do que o sofrimento causado pela insensível indiferença dos homens naquela denúncia pública de rasgar o coração foi a tortura causada pela desconcertante ausência e aparente abandono de Deus, "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste. Como pode, portanto, alguém se dizer discípulo de Jesus ou devoto de Maria se não está disposto a renegar a si mesmo e tomar e carregar sua prórpia cruz pelo calvário, se não se dispõe a ficar ali ao lado da cruz de Jesus com Maria, pronto até mesmo para ser também crucificado. Assim como Pilatos, do alto do trono de César, apresenta Jesus desfigurado pelas chagas aos seus perseguidores dizendo, "Eis o homem". Jesus, do alto do Seu trono de misericórdia, que é a cruz, dirige-se aos Seus discípulos feridos pelos acontecimentos e apresenta a Sua mãe dizendo, "Eis a tua mãe".