Pe. Inácio José do Vale
Afinal... o silêncio é um amigo que nunca trai !
“Algumas pessoas são narcisistas, egocêntricas. Falar por uma hora e ser o centro das atenções às satisfazem”.
Dr. Jonathan Alpert
Psicoterapeuta Americano
John Ruskin, notável escritor e crítico inglês do século XIX, autor de um conto antológico sobre um feirante que oferece num quadro o seu produto: “Hoje vendo peixe fresco.” Ao perguntar ao amigo o que achava da propaganda, recebeu a resposta de que a palavra “hoje” era dispensável, por óbvia. O vendedor cortou o advérbio de tempo e perguntou: que tal agora? “Se o amigo permite, tornou o visitante, gostaria de saber se existe aqui na feira alguém dando peixe de graça.” Era claro que não. E o anúncio, depois de perder o advérbio, perdeu o verbo, ficando reduzido simplesmente a um substantivo e a um adjetivo: “Peixe fresco”. Como numa feira presume-se que todo peixe seja fresco, bastaria a palavra “Peixe”. Mas, pensando bem, seria redundante chamar pelo nome o que todo mundo estava cansado de conhecer. Ruskin concluiu então: “O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro também. O feirante vendeu tudo”.
A partir do pensamento glorioso do filósofo grego Sócrates, passando pelos seus discípulos Platão e Aristóteles e perpassando por escolas e pensadores com visão epigoniana a seguinte sentença: “A palavra convence, mas o exemplo arrasta multidões”.
Sempre na História da Humanidade o exemplo convence e converte mais do que as palavras, tanto para o bem quanto para o mal.
Dependendo do protagonista, o fenômeno de seguidores é notável. Cabe aos líderes do bem ocupar todo espaço possível no mundo com seus exemplos para promoção da cultura da vida.
A nossa geração carece urgentemente de pessoas com atitudes benevolentes. Tal atitude é o fundamento da construção da civilização do Amor poderoso.
Não existe nenhuma incompatibilidade em promover um líder e eventos para arrastar multidões. Sábio é quem conquista, ajunta e discípula multidões.
É um grande mérito do líder e de sua comunidade ter a capacidade de reunir maior número de seguidores. Questiona-se se o líder e seu grupo promovem o evento para o culto à personalidade, interesse puramente político e econômico ou por uma ideologia perniciosa e escravocrata.
Relevante é a promoção da dignidade humana, o bem coletivo em todos os sentidos e a grande pergunta: o que fica depois do encontro de multidões?
Quando se fala muito não fica nada, quando o exemplo do bem é vivido fica muito para posteridade. O exemplo tem mais conteúdo do que as palavras.
As empresas telefônicas ganham oceanos de dinheiros, porque o povo fala demais. Revista de fofoca vende muito. Há muitas publicações, muito áudio e muita imagem sem dizer nada, ou seja, não ensina e nem convence absolutamente ninguém. É um tempo perdido, roubado e a pessoa destruída.
Quem fala muito, torna-se desagradável. Fica sozinho, significa afastar os outros por um dos principais motivos: “Tagarelar o tempo todo”.
Ser prolixo em homilias, discursos e conversas, é ser chato, pernóstico, pedante e boçal. O intelectual escuta, observa e é sintético, enquanto o tolo conversa muita besteira.
Assembleias, reuniões, celebrações e encontros demorados e difusos indicam mente doentia, teatro de bobos, ideias mortas e projetos arruinados.
Quem tem amigos, companhias, discípulos e é desejado, solicitado para ser ouvido, é porque tem sabedoria no falar, no escrever e exemplo de vida.
Arte de falar, de argumentar, de convencer e viver serenamente são uma arte altamente sapiencial.